Sugestões para a celebração e a vivência da Liturgia

a) Cartaz: “Se conhecesses o dom de Deus…”.

b)  O Ritual da Iniciação Cristã dos Adultos define a Quaresma como “o tempo da purificação e da iluminação”. Toda a comunidade acompanha com solicitude os catecúmenos que se preparam para a celebração dos sacramentos da iniciação na Vigília pascal, e os pecadores penitentes que enveredam pelo árduo caminho da conversão e da reconciliação. Com eles, todos refazem idealmente o mesmo percurso para chegar renovados às festas pascais.

c)  Esta perspectiva vem ao de cima, sobretudo nos 3º, 4º e 5º Domingos com riquíssimos trechos “sacramentais” do Evangelho de São João, foco de toda a Liturgia, normalmente retomados nos prefácios próprios e na antífona do cântico de Comunhão. Sugerimos, por isso, uma leitura cuidada e completa (forma longa) desses Evangelhos. Nas Missas com crianças poderá experimentar-se a leitura dialogada, como no Evangelho da Paixão, reservando-se ao Presidente as palavras de Jesus.

d) Em lugar bem visível, poderá estar uma talha de água, da qual saem fitas coloridas como se fosse água jorrando.

e)  Leitores: 1ª Leitura: Não há dificuldade maiores, a não ser as interrogações. De fato, não são meras perguntas, são antes acusações. O tom elevado da interrogação mantém-se em toda a frase, como se em cada palavra houvesse uma interrogação. Diferentemente, a pergunta que Moisés faz a Deus é uma pergunta (neste caso, a interrogação entoa-se na última palavra: povo). Atenção a algumas palavras: israelita, atormentado, altercar, apedrejarem, anciãos, fustigaste, Horeb (pronuncia-se levemente o b final), Massa, Meriba, altercação.
2ª Leitura: A dificuldade maior do texto vem das suas frases longas, interrompidas por apostos e títulos. Exemplifiquemos a primeira: “Irmãos: /// Tendo sido justificados pela fé, // estamos em paz com Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, // pelo qual temos acesso, na fé, / a esta graça em que permanecemos e nos gloriamos, // apoiados na esperança da glória de Deus ///”.

f) Sugestão de cânticos: Em vez dos cânticos próprios de cada Domingo podem cantar-se cânticos comuns para a Quaresma ou os da Campanha da Fraternidade 2008. Nada impede e até pode ser aconselhável, criar mais momentos de silêncio, particularmente durante a Apresentação dos dons e, mesmo, se possível introduzido, à Entrada.

Reflexões Bíblico-Pastorais

a) A Quaresma foi sempre o tempo, por excelência, de preparação dos catecúmenos que irão receber o Batismo na Vigília Pascal. Nos últimos três domingos quaresmais proclamavam-se três textos do evangelho de São João como catequese batismal: o diálogo com a samaritana, a cura do cego de nascença e a ressurreição de Lázaro. Depois da reforma litúrgica, esta seqüência de textos só a encontramos no ano A. Este domingo iremos escutar o diálogo de Jesus com a samaritana; no próximo domingo, o 4º da Quaresma, a cura do cego de nascença; e, no 5º, a ressurreição de Lázaro. Estes três textos expressam tudo aquilo que o batismo nos oferece: Cristo é a água viva que sacia a nossa sede (diálogo com a samaritana); Cristo é a luz que ilumina e dá sentido à nossa vida (cura do cego de nascença), Cristo, o Senhor da Vida (ressurreição de Lázaro). Pelo fato de em alguma comunidade paroquial não existir catecúmenos para serem batizados na Vigília Pascal, estes textos continuam a ser importantes para a reflexão de todos os fiéis, porque todos irão, na Vigília Pascal, renovar as suas promessas batismais.

b) Hoje, o evangelho apresenta-nos a 1ª catequese batismal, que tem a água como o ponto de partida. Uma samaritana está a tirar água do poço de Jacob. Jesus entra em diálogo com ela e apresenta-se como a verdadeira água que sacia a sede do homem. A água é necessária para que haja vida. Onde há água, há vida. A existência de um ser vivo supõe a água. O nosso corpo é composto por uma grande percentagem de água. A água é um elemento vital. Jesus apresenta-se à samaritana como a verdadeira água. Assim como a água é essencial para vida, assim também Jesus é essencial para que possamos viver como pessoas de verdade e retidão. Jesus oferece-nos uma vida em plenitude, uma vida “que jorra até à vida eterna” (Evangelho).

c) Através do batismo, esta vida é-nos concedida. O batismo dá-nos esse espírito novo que fala Ezequiel na antífona de entrada. Recebemos esta vida nova, no batismo, como uma semente em germe. Durante a nossa vida, deveremos esforçarmo-nos para que esta semente cresça, de tal modo que possamos dizer: “já não é pelas tuas palavras que acreditamos. Nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é realmente o Salvador do mundo”. Pelo evangelho deste domingo, somos convidados a refletir sobre a nossa vida de batizados. Como acolhemos a água que Jesus nos dá e que sacia verdadeiramente a sede interior do homem? Respondendo a esta pergunta, o nosso itinerário de conversão irá no bom caminho. Não esqueçamos que na Vigília Pascal, todos renovaremos as promessas batismais e que a profundidade desta renovação será proporcional à nossa preparação.

d) A 1ª leitura diz-nos como Deus dava de beber no deserto ao Povo de Israel, torturado pela sede. Também hoje Deus nos mata a sede no nosso deserto quaresmal. A eucaristia é a água que nos oferece. A vida que recebemos no batismo cresce com o alimento que Deus nos dá: o Corpo e o Sangue do Seu Filho. “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não sinta mais sede” (evangelho).

Com informações do Missal Romano, da CNBB e do SDPL.